Slow Brew Brasil 2014

TL;DR: O evento foi muito legal. Sim, ocorreram alguns problemas, muitos mimimis, mas foi compensado por muita gente fina, muita cerveja boa e eu volto ano que vem.

Agora segura o post gigante.

Tenho ido a muitos poucos festivais cervejeiros, seja por conflitos de agenda ou falta de dinheiro tempo 🙂
A primeira vez que tive a oportunidade de sentar num stand de uma cervejaria que não conhecia ou que era fã foi durante a Brasil Brau de 2011, foi fantástico poder conversar mesmo que por alguns poucos minutos com Marco Falcone da Falke bier sobre a Vivre Pour Vivre (lançamento na época) e poder tomar um gole dessa breja fantástica junto com seu criador. Também conversei com o Marcelo Carneiro da Colorado e provei a até então Grão Pará, hoje Berthô… Conheci a galera da OPA que me deixou escorar por um bom tempo.

Enfim, não era um festival de cervejas como o Slow Brew Brasil se propõe, mas estou só explicando um pouco as expectativas que eu tinha do evento…

A primeira vez que ouvi sobre o Slow Brew foi numa rádio daqui de Ribeirão Preto, uma propaganda bem tosca, que mandava o ouvinte procurar no Google por “Festival da Cerveja de Ribeirão Preto”. Na hora já imaginei que o site deles deveria estar em algum provedor grátis da vida, sendo complicado passar numa propaganda de 30s. Mas não, http://www.slowbrewbrasil.com.br era o site.

E por falar em site, que coisa horrorosa era a primeira versão, parecia ter caído de 1990 por um vortex temporal até 2014. Lembra aqueles sites feitos no Word? Então, bem ruim… Informações desencontradas, comunicação meio falha, ou seja, tudo pra desistir do evento. O interessante era ver que no site ele já dizia ser o melhor e maior festival de cervejas do interior de São Paulo.

Porra, como pode um evento que nem aconteceu ainda, que malemá tem três cervejarias confirmadas se auto afirmar como o MELHOR de todos… Não comprei no primeiro lote por duvidar muito que isso fosse rolar.

Os dias foram passando, os organizadores entraram em contato sobre meus posts e venderam o peixe. Houve um evento pra imprensa e a impressão dos meus amigos jornalistas/blogueiros que participaram foi boa. Mas o que me fez comprar os ingressos no segundo lote foi o parecer de meus amigos cervejeiros que exporiam no evento. Se os caras estão arriscando colocar a marca da empresa deles nesse evento, talvez desse certo.

Uma das atrações seria um concurso de homebrew e claro que me interessei, mas antes que pudesse brassar a ESB para o concurso, me acidentei em uma cama elástica brincando com a minha filha, o que mudou completamente os planos cervejeiros aqui em casa. Foi um acidente bem grave e ainda estou em recuperação, a sorte foi que consegui a liberação do médico para ir ao evento, de cadeira de rodas, mas poderia ir.

O evento foi ficando parrudo e mais de 30 cervejarias confirmaram presença, dentre as quais algumas favoritas desse que vos escreve: Tupiniquim, Way, Küd, Colorado, Sauber e Urbana. Algumas delas eu conheço desde a época de panela, o que é uma honra muito grande.

Mas um flag ligou quando vi dentro da lista de cervejarias confirmadas a famigerada Germânia, conhecida como a cerveja com G de genérico, que produz Adjunct Lagers baratas e é a alternativa para todos aqueles churrascos de baixo orçamento. O que esses caras fazem num evento de cerveja artesanal? Será que a organização chamou pra fazer número?

E os questionamentos começaram a surgir. O principal era: Quantos litros seriam servidos no evento?

A resposta foi assustadora: 14000

Por que assustadora? Eram esperadas 4200 pessoas durante o dia. E ter apenas 3 litros por cabeça é muito pouco. Principalmente se todo mundo quiser tomar a mesma cerveja, aí cai pra 20ml pra cada um… As minhas expectativas começaram a cair. Já me preocupava em não poder provar as novidades.

Chegou o dia do evento, peguei minha cadeira de rodas e partimos pro evento. Chegamos 30 min antes de abrir o credenciamento (10 da matina) e a fila já começava a formar, menos de 50 pessoas, alguns falavam em encher a cara, outros discutiam sobre cervejarias e tentavam adivinhar as novidades, eu encabeçava a fila na cadeira de rodas, atraindo olhares de vários tipos.

Entrada - Foto: Slow Brew Brasil
Entrada – Foto: Slow Brew Brasil

Entramos e o credenciamento foi extremamente burocrático. Papéis para preencher, dados pra verificar e a “vantagem” de entrar primeiro da fila não foi tão grande. Mas posso ter tido azar de pegar uma moça mais devagar no processo, eram 10 pessoas credenciando a galera.

Ganhamos um kit de boas vindas com vários spams e dois pacotes de amendoim. Além de uma caixa para três garrafas de cerveja que continha o copo oficial do evento.

kit do evento - Foto slow brew brasil
kit do evento – Foto: slow brew brasil

Essa caixa com os copos foi descartada quase que imediatamente por grande parte dos participantes, empilhando logo na entrada. A gente guardou por ser útil na hora de levar cervejas pra casa de amigos, mas causou uma má impressão. Algumas pessoas acharam uma função mais divertida.

Foto: Slow Brew Brasil
Foto: Slow Brew Brasil

 

Mas vamos às cervejas. Meu medo de que não houvesse cerveja suficiente pra todo mundo só sumiu quando o pessoal da Tupiniquim disse ter trazido mais de 1000 litros para o evento. Muito reconfortante.

Aliás, deliciosas as cervejas que a Tupiniquim levou, pena que a Lost In Translation, anunciada no site do Slow Brew não veio. Mas as três cervejas são muito boas.

Saison de Caju me conquistou, vez ou outra voltava ao stand da Tupiniquim pra reabastecer meu copo com ela. Deliciosa e equilibrada.
Anunciação IPA, pelos aromas é uma American IPA, bem cítrica, amargor balanceado com o caramelo dos maltes e ótima drinkability.
A Polimango, uma Double IPA feita em colaboração com a sueca Omnipollo fere os mimimizeiros das ~cervejas de verdade~ já que leva milho (farinha de polenta, por que tem que ser hipster). É uma delícia, o aroma de manga vem da lupulagem que também puxa no maracujá e frutas tropicais.

Nem preciso dizer que gastei grande parte do tempo nesse stand, né? 🙂

Logo do lado estava a Way, que trouxe a maravilhosa Brett IPA. Uma India Pale Ale feita só com leveduras brettanomyces, aquelas belgas usadas para fermentar lambics. Que delícia de cerveja, o equilibrio do aroma dos lúpulos com as nuances das bretta desagradam os marinheiros de primeira viagem.

Falando em desagradar, que tristeza foi ver muita gente descartando cervejas nos lixos ao lado dos stands. Tudo bem que é “open-bar”, mas se não tem certeza se vai gostar da breja, pede uma amostra menor, “um golinho”, jogar fora é sacanagem demais.

Voltando à Way… A Sour-me-not que veio foi a Acerola e não a Graviola, minha favorita. Mas é mais azeda de todas, sour por sour, vamos de porrada. 😀

Migrei pras cervejas da terrinha, Colorado colocou on-tap duas maravilhas, Vixnu Diamantina, com lúpulo Liberty (é o mesmo que eu uso na Capitaine Haddock, minha belgian pale ale) e a Ithaca. Essa Vixnu por mim substituiria a de linha, ficou muito mais gostosa. E a Ithaca, é a Ithaca 😀

No stand da Invicta, a novidade era a Damiana, uma German IPA. Perfumada e de ótima drinkability. Mas pra mim o interessante foi a mudança na receita da Imperial IPA, que ficou com uma carga de lúpulos muito mais interessante que a receita antiga, que não me agradava.

Continuando em Ribeirão, a Lund dividia o stand com a Suméria, da Oliva IPAlito, bem gostosinha por sinal 🙂 E a novidade ali era a Pale Ale. Infelizmente parece que erraram na mão. Uma cerveja sem graça e inexpressiva, principalmente depois passar por cervejas muito melhores.

Acabei não provando a Beerzilla, do Empório Brasilia, também feita na Lund com o Evandro Zanini. Também não passei na Walfänger, esqueci mesmo. E pra fechar as “ribeirãopretanas”, levei pra casa de presente duas garrafas da Decenial, cerveja comemorativa dos 10 anos do Vila Dionísio, bar fodastico de São José do Rio Preto / Ribeirão Preto.

Outra cervejaria que me recebeu muito bem foi a Sauber Beer. Pessoal simpático, divertido e ótimas cervejas. A Pumpkin Ale deles é deliciosa, quase um doce de abóbora da roça, balanceado por uma leve acidez. E a Maria Fumaça é uma rauchbier leve e de ótima drinkability. Não tomei a English Pale Ale por que esqueci.

Quando a fome bateu lembrei que tinhamos direito a 2 porções na compra do ingresso. Mas não havia nada nos spams. De comida, ganhamos os amendoins e um café. Nada de “porção”. Se os amendoins forem as porções é sacanagem DEMAIS! Resolvi não me estressar com isso, já que as cervejas estavam ótimas. Matamos uma porção de coxinhas do Vila Dionísio e continuamos com as cervejas.

Nessa hora o evento tinha enchido bastante e a dificuldade de locomoção do cadeirante temporário aqui comprometeu o divertimento. Acabamos evitando as muvucas e fomos para stands mais vazios.

Aproveitamos que estávamos próximos da Urbana e provamos outra cerveja ótima, a Prima Pode, uma Indian Brown Ale muito gostosa! Sou fã da Urbana desde a época de cerveja de panela. A esposa matou uma Gordelícia, a Urbana favorita dela.

Arrisquei provar a “Puro Malte” da Germânia, que pra quem não conhece é considerada a cerveja com G de genérico, daquelas que vc compra pro churrasco e diz pra todo mundo que é Brahma. Essa cerveja antagonizou com a Polimango, prova cabal de que ser puro malte não significa porra nenhuma.

O evento teve vários probleminhas de organização, sendo o mais comentado deles foi a ausência de água para a galera se hidratar. Na verdade tinha água potável sim, era só ir na área de lavagem de copos e pegar um copão cheio de água da torneira, que é potável sim senhores. Mas parece que o povo queria Perrier ou Evian e acabaram pagando 5 dilmas em um par de garrafinhas que foram envasadas em algum poço artesiano por aí…

De qualquer forma, o que mais me deixou chateado foi a tal da Cervejaria 961, que eu fazia questão de provar, mas nos recebeu com antipatia, um copinho de café com meio dedo de Witbier e uma pequena mancha no evento.

Depois dessa tristeza, ancoramos a cadeira de rodas no stand da Küd e ficamos por ali, jogando conversa fora com os mineiros da cervejaria. Ô galera gente fina.

Infelizmente não consegui passar por todos os stands ou tomar todas as cervejas que eu queria. Das que eu fazia questão acabei não visitando os stands da Peripécia e Ouropretana, mas o custo-benefício valeu muito a pena.

Publicado por Fio Cavallari

Analista de segurança, pesquisador de malwares, guitarrista ruim e imitador do Silvio Santos.

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: