O que você bebe II – Cervejas de verdade

Muitas coisas nesse boom cervejeiro, se é que podemos chamar assim me irritam. Como todo o hype, usei, “hashtagueei” e defendi bandeiras que hoje, acho no mínimo bobas.

Cervejas especiais, gourmet, diferenciadas ou de verdade inundam nossas timelines. E o compartilhamento da semana é essa imagem:

MilhoNaCerveja

Aquela velha história de que aqui não se produz nada que preste, que lá fora não é desse jeito, que a AmBev quer arrancar o couro do brasileiro vendendo algo que não é cerveja mas sim o “suco de milho”, citações da tal “lei de pureza” alemã, cujo nome é impronunciável para a maioria dos brasileiros, pipocaram nos comentários e compartilhamentos.

Mas cerveja com adjuntos, é cerveja de verdade? Afinal que porra é cerveja de verdade?

É de se admirar que muita gente ~entendida das cervejas~ cite a Reinheitsgebot como sinônimo de qualidade. Não precisa ser nenhum teórico dos antigos astronautas pra perceber que tem algo errado aí. Ou você vai me dizer que a Weihenstephaner Hefe é uma cerveja ruim? Ou que a Rodenbach Caractere Rouge não presta?

Essas duas cervejas não estão em acordo com a lei de pureza por levarem trigo e frutas, respectivamente. Então essas não são cervejas de verdade, certo?

“Mas Fio, você está comparando uma Skol Beats com uma Rodenbach?? Você comeu cocô?”

Não, não comi. E sim, estou comparando. Mas não no quesito sensorial, mas no método escolhido para definir o que é uma cerveja de verdade. Nem entrei no quesito ~especial~ ou ~gourmet~ da bagaça.

Aí eu procurei por toda parte nas internets pra ver se a definição de cerveja era consensual, e adivinha só, não é. Todo lugar define de uma forma, alguns replicam a lei de pureza, outros citam de forma genérica que é uma bebida fermentada produzida através da sacarificação de amido e sua fermentação. E as enzimas que causam essa reação provém de cereais maltados como o trigo ou a cevada.

Então Skol, Brahma, Antarctica, Bavária, Colônia, Schin, Polar (que os gaúchos juram que é urina dos deuses), Guitt’s, Glacial, Guinness, Stella Artois, Budweiser, Mikkellers e Brewdogs da vida, todas são cervejas. E são de verdade! Sério! A única de mentira é aquela caseira que seu amigo fez e ficou muito boa, mas que só ele tomou.

E nos outros países? Eles tomam cerveja de milho?

Sim, e muito! Você não é especial, nem um coitadinho, em todos os cantos capitalistas ou não desse planeta praticamente inofensivo tem gente tomando cerveja com adjuntos. Seja milho, arroz ou açúcar, os adjuntos estarão presentes, quase sempre, nas cervejas mais populares de seus respectivos países. Duvida?

U.S and A – Budweiser, Coors e suas derivações light, arroz e milho na cabeça!
China – Tsingtao Beer, começou seguindo a lei de pureza alemã, agora larga arroz na receita.
Japão – Asahi Super Dry, super arroz?
Australia – Foster’s Lager, leva glucose de milho, aquele mel karo, saca?
Canadá – Molson, outra que gosta do Karo.
México – Corona, nem preciso dizer, né?
Espanha – San Miguel Lager, mais milho pra cabeça.

——UPDATE——

Olha a cerveja mais consumida na Bélgica metendo o milho no meio da receita…

Ah, aí você reclama que não citei República Tcheca, Alemanha, Holanda, Bélgica (nem tanto, depois do update)… Mas são Países com tradição cervejeira enraizada até na alma! Aí não dá pra argumentar.

Então, chega de viadagem, junte seus amigos, pegue uma gelada, jogue conversa fora e mande os beersnobs pra pqp.

Fim do rant 🙂

Publicado por Fio Cavallari

Analista de segurança, pesquisador de malwares, guitarrista ruim e imitador do Silvio Santos.

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2 comentários

  1. O seu Fio da… Se tá levando quanto dos fabricantes nacionais e internacionais de suco de milho prá chegar aqui e dizer que as porcarias, que eles produzem e engarrafam, é cerveja de verdade?!?!?!
    Cerveja é cerveja assim como uma Ferrari é uma Ferrari! Cerveja é feita com cevada e malte! “Cereais não maltados” é o cacete! Prá escrever o que você escreveu, só tendo comido cocô mesmo.

    1. Cara, comer cocô eu não sei, mas já tomei cerveja que tem café que um passarinho cagou. Isso conta?
      Mas é a minha opinião sobre o mimimi de suco de milho vs cerveja de verdade. Pra mim, os ingredientes vem depois da experiência, mas eu te entendo, já passei por essa fase. E revi meus conceitos depois de descobrir um monte de cervejas FANTÁSTICAS que usam cereais não maltados na receita ou querem que a lei de pureza Alemã se foda. Essas brejas levam aveia, centeio, trigo e até mesmo o milho ou arroz, tão odiados pelos cervejochatos de plantão e sim, são ótimas.
      Enfim, como diz um grande amigo, gosto é igual a braço, uns tem e outros não.
      Ah e nenhum fabricante me paga nada, aliás eu parei de ganhar cervejas por que escrevi o que pensava ao invés de puxar o saco da cervejaria.

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