Aquele sobre as cervejas de banda…

Eu vivi em uma época maluca, quando crianças colecionavam latas de cerveja e maços de cigarro, e os pais não se desesperavam que seus filhos pudessem se tornar fumantes crônicos ou mesmo dependentes do álcool.

maços de cigarro

Não sei o que mudou de lá pra cá, mas eu e meus irmãos tínhamos uma coleção muito legal de latinhas, não só de cervejas, mas tudo quanto era bebida enlatada, algo bem parecido com essa coleção aqui (só que chegamos a umas 300 e poucas latas)…coleco-com-65-latinhas-de-cerveja-e-refrigerantes-anos-90_MLB-F-4998537518_092013

Tinhamos as nossas latinhas favoritas. A St. Pauli Girl com seu azul fosco e uma moça estampando o rótulo, a Tuborg por vir da Dinamarca o único País que começa com a letra D (citation needed), a latinha da Tecate Light que não era cilíndrica, mas poligonal (procurei por imagens dessa latinha e não encontrei), mas onde quero chegar com isso?

A motivação de começar a colecionar as latinhas foi a variedade que apareceu, antes da abertura do mercado para os importados nos anos 90, não viamos tantas latinhas legais, que traziam desenhos e outras cores era tudo muito parecido. E entre esse mundo de latas que chegavam, apareceram as primeiras cervejas “temáticas” que eu tive contato. Escolas de Samba e Times de Futebol (fotos abaixo não são minhas, peguei do Google images, por que a minha coleção já era faz tempo).

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As cervejas de escola de samba eram produzidas pela americana Evansville Brewing Company, que tem uma história longa, foi criada como uma tentativa de salvar a Falls City Beer e, como muitas cervejarias com equipamentos ociosos, produzia cerveja de outras marcas. Coincidência ou não, no final dos anos 90, junto com o lançamento dessas latinhas, fechou suas portas e foi adquirida por outra cervejaria.

Mas que diabos uma cervejaria americana ia querer fazendo latinhas temáticas de escolas de samba? Na verdade, quem encomendou a cerveja foi uma importadora chamada LuArte (da mesma forma que a paulistânia é feita pela Casa di Conti para a importadora/distribuidora Bier & Wein), que não tem muitos rastros depois de 1998. Eram cervejas “Premium” cheias de palavras em outros idiomas no rótulo para não perder a pinta de “importada é melhor”. Mas era a mesma lager com milho de sempre…

E começou uma enxurrada de cervejas temáticas, era de carnaval, festa de peão, teve até uma do evento de Motocross que iria rolar aqui em Riberião Preto. Só que uma coisa era certa, o líquido era o mesmo, a embalagem servia somente para tentar atingir um público maior, it’s only business, baby!

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E é esse o ponto onde quero chegar!

Nos anos 10 tenho percebido a mesma coisa acontecendo. Lembro da cerveja do Sepultura, que foi lançada para comemorar os 25 anos da banda, vinha numa caixa com um copo Weiss, bem legal. Era feita pela RPM, que aparentemente é, ou foi, um brewpub na Vila Hamburguesa em São Paulo chamado Fabrica do Chopp. E depois a cerveja foi pra Bamberg e se tornou parte da sua linha de produção.

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Enquanto a Bamberg fazia a cerveja do Sepultura, a Mistura Clássica fazia a Helles do Blues Etílicos. Pouco tempo depois tivemos a Camila Camila também da Bamberg, homenageando a Nenhum de Nós, Velhas Virgens pela Cervejaria Invicta, a famosa Saint Bier Duff, Bamberg Raimundos Helles, Matanza IPA, a breja do Iron Maiden causando dores de cabeça pro Rapha da Cervejoteca (de tanto que ligavam atrás), hoje até cervejas do Ratos de Porão e Korzus já apareceram nas prateleiras por aí…

Essa saturação de cervejas de banda é muito boa para as cervejarias, pois além de ganharem muita grana com os fãs das bandas, quebram a barreira de que cerveja boa são as “tipo pilsen” da vida e acabam conhecendo as famigeradas “cervejas de verdade”.

Mas aí vem o meu problema com isso tudo…

Até onde eu sei, quase todas essas brejas que citei acima são as mesmas que as “de linha” das cervejarias e só recebem uma rotulagem diferente. Isso, pra quem é fã de determinada banda e quer a garrafa como um item colecionável, realmente não importa. Mas para quem quer ter provar uma cerveja “com a identidade da banda” vai perder muito.

É o caso da Sepultura Weiss por exemplo. Quando o som pesado dos caras combinaria com uma cerveja levinha tipo as weiss? Esperava uma Russian Imperial Stout estilo Dark Lord, pelo menos… Ou a Helles do Blues Etílicos, cadê o Bourbon? Sério, se eu penso em blues, a última bebida que eu penso é cerveja e muito menos uma Helles…

Enfim, não esto dizendo que essas cervejas sejam ruins, longe disso, só estou dizendo que poderiam se inspirar mais nas bandas de vez em quando.

Publicado por Fio Cavallari

Analista de segurança, pesquisador de malwares, guitarrista ruim e imitador do Silvio Santos.

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