Brewing Hops 2 Hackers Ale

A nossa produção de cerveja estava largada às moscas, panelas pegando poeira, freezer servindo de armário e chiller de peso de papel. Mas resolvi tomar vergonha na cara e produzir mais uma Ale, principalmente depois de saber que vou falar sobre cervejas para uma platéia de hackers, crackers, cream crackers, entusiastas de segurança, trolls, n00bs, l33t0s e o Nelson Brito durante a Silver Bullet Conference, que acontecerá em 12 e 13 de Novembro de 2011.

Pensei em cozinhar uma Fail Ale, mas quem me conhece e já provou algum prato que eu tento fazer sabe qual é o estilo! Cozinha de guerrilha!

Fui comprar os ingredientes e acabei me empolgando com um lúpulo chamado Warrior. Essa florzinha americana (sim o lúpulo é uma flor, fêmea e virgem) quase não tem perfume, mas é amarga pra c@r4lh0! Na hora lembrei do nosso amigo hophead @effffn e sua Mikkeller 1000 IBUs…

Folhas do lúpulo Warrior, não usei assim, mas vale a ilustração...

Comprei 20 gramas deste hop e outros 50 de Cascade (outra florzinha, mas menos amarga e mais cheirosa). Leveduras para cerveja Ale, malte Pils base pro carrinho de compras e, finalmente, um malte belga chamado Café Light para dar uma corzinha para nossa cerveja. Estava buscando a coloração parecida com uma Colorado Indica.

Roubei do Flickr do Guia da Cerveja

Sabadão dia 10/09 foi o dia de colocar os equipamentos pra funcionar. Lavando panelas, atormentando os vizinhos na hora de moer o malte (uso uma furadeira pra acelerar o processo) e colocando os equipamentos e a paciência da namorada à prova. 🙂
Depois de moer 6 quilos de malte, disparar a rinite alérgica da namorada com o pó da cevada moída, derrubar tanto malte moído no chão a ponto de temer a eficiência era hora de começar a mosturação!

Ativando as enzimas! Beta Amilase começando! E o topete? Ah, quem tem tempo pra isso?

O primeiro erro foi nessa hora. Já não estava muito seguro quanto à qualidade da moagem do malte, (estava no nível aceitável pelo equipamento tosco que tenho) e acabei colocando mais água que o necessário para a mosturação. Mas como aqui a cerveja é de guerrilha, vamos agitando o mosto pra ver se ajuda as enzimas a trabalhar.

Isso cansa, mas ajuda as enzimas a trabalhar! Essa beta amilase adora uma agitação! 🙂

O próximo passo era a filtragem e clarificação do mosto. Hora de testar o novo fundo falso que substituiria a bazooka tosca que eu montei. Esse filtro é feito de uma peneira de fubá furada na lateral para encaixar na válvula. Funcionou bem e a clarificação não demorou tanto quanto eu esperava…

Se foto tivesse cheiro... Qualquer coisa pergunte para meus vizinhos! 😛

Depois desse ponto o mosto foi pra fervura e eu fui almoçar com a namorada. Não fotografamos mais nada (tive que dar atenção à ela, né? Feio e esquisito do jeito que eu sou não posso contar com a sorte). Mas para manter registrado adicionei os hops Warrior e Cascade nos momentos definidos na receita e mais detalhes você pode encontrar no B33r Pr0j3cTz.
Meu fogão está um lixo e o fogareiro de alta pressão que eu tenho está sem gás, por isso a fervura levou mais tempo para começar e não ficou tão forte quanto necessário para perder uns componentes químicos que geram off-flavors. De qualquer forma, não dá mais pra parar!

Fervura concluída e é hora de resfriar! Usei meu pequeno chiller de placas, que não é muito eficiente para a tarefa, mas mantendo uma temperatura de entrada de 10 graus e um fluxo de cerca de 2l/min o mosto foi resfriado a 27 graus Celsius em 30 minutos.

Gambrewery é o que há! Gambiarra + Brewery. Funcionou que é uma beleza!

Mosto resfriado, aerado pela queda e leveduras lindas e maravilhosas S-04 adicionadas no seu playground. Agora é hora de mandar pro freezer! Colei o termostato na lateral do balde fermentador (dica do Mestre Botto) e configurei para 19 graus e um threshold de 0.5 grau. Agora é ir jantar com a namorada…

Como não tinha mais álcool pra colocar no airlock, foi Whisky mesmo...

Mais um erro no processo… (Put@Qu3Par1u!! Como eu estou errando!!) O freezer estava configurado como refrigerar mínimo e demorou muito tempo pra baixar a temperatura para a que planejamos. Depois de arrumar isso, tudo foi normal, ou quase… O balde está com vazamentos de líquidos e gases, ou seja, a cerveja pode ser contaminada por alguma bactéria ou outra levedura perdida por aí…
Como disse, não é hora de chorar, mas vamos conferir o trabalho das S-04… Sei que é errado abrir pra ver como está, mas a minha curiosidade não deixou.

Que delícia, hein? Só falta gratinar... 24h depois de começar a fermentação.

Menos de 48h de iniciar a fermentação eu resolvi medir a gravidade do mosto fermentando. Tirei um pouco pela torneira e vi que ele reduziu legal! Tem um pouco de gás (não apareceu na foto), dá pra perceber que existe álcool (segundo as medidas 3,4% ABV) mas ainda está estranha na cor… Não sei por que mas em repouso formou 2 camadas de líquidos diferentes, vamos ver se isso passa no final da fermentação e maturação.

Olha que belezinha, tem até uma certa espuma! 🙂

Tomei a cerveja e tive um susto! Esperava que estivesse bem amarga, já que planejei uns 50 IBUs. Mas estava amarga pacas! Acho que o @effffn vai curtir… A única coisa que me deixou triste foram os aromas que não apareceram. Mas ainda é cedo para dar alguma opinião consistente sobre uma cerveja inacabada.

Ah, antes da Silver Bullet teremos a Hackers 2 Hackers Conference, também conhecida como H2HC. Não falarei de cerveja por lá (oficialmente), mas levarei algumas H2HA (sacou o trocadalho do carrilho?) para a galera provar e comparar com as brejas servidas no evento.

Aguardem os próximos capítulos.

Publicado por Fio Cavallari

Analista de segurança, pesquisador de malwares, guitarrista ruim e imitador do Silvio Santos.

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