Breakfast or Happy Hour? Mikkeller Beer Geek Breakfast

Hoje, enquanto escrevia o post da Dogfish Head que ganhei do effffn, comecei a lembrar do sabor dessa Imperial Stout fantástica (sério, nunca tinha lembrado de gosto na minha vida). Fiquei pensando em qual cerveja tomar hoje, qual das garrafas que tenho em minha geladeira seria a escolhida para o sacrifício?

Eis que, entre esses pensamentos, recebo uma DM do effffn: Toma a mikeller e manda um review antes de eu chegar com a sua quota de aniversário.
Missão dada é missão cumprida!

Café, aveia e cevada (o cereal, não cerveja), são ingredientes para um café da manhã muito comum, certo? Mas nesse caso são alguns dos componentes Mikkeller Beer Geek Breakfast, uma Oatmeal Stout com café, pra ser mais preciso essa breja é feita com: água, maltes (pils, aveia, defumado, caramunich, brown, pale chocolate e chocolate), cevada tostada, aveia em flocos, lúpulos (centennial para sabor e aroma e cascade para o amargor), fermento para cervejas ale e café gourmet. (Para termos uma noção, vamos comparar com uma Skol: água, malte, cereais não malteados, carboidratos e lúpulo).

Senhoras e senhores, temos em mãos uma cerveja bem complexa e que deverá ser degustada da mesma forma.

A garrafa é muito legal, tem 1 pint e 9 onças (cerca de 750ml), escura e longilínea, lembrando muito as garrafas de licores que tenho aqui em casa (ah, aguardem o “reversing” de um licor de cerveja).

Mikkeller é uma cerveja Dinamarquesa, mas pelo que eu entendi, usa o tempo ocioso de microcervejarias pela Europa para produzir suas brejas. A que estou provando hoje foi feita na Noruega, em uma microcervejaria chamada Nøgne Ø. No Brasil alguns homebrewers já tem esse costume.

O rótulo é bem simples e deixa claro o que esperaremos dessa breja. Oatmeal Stout Brewed With Coffee, 7,5 ABV (pouco álcool para uma cerveja desse tipo e com essa quantidade de maltes). Uma breve descrição comercial da bebida, enfim, nada tão agressivo quanto uma Flying Dog ou enigmático quanto a Dogfish Head.

A cerveja estava  bem gelada, esse tipo de cerveja deve ser tomada entre 8-12 °C (o que é considerado fervendo para o público brasileiro), como minha geladeira está cheia de Baden Baden Cristal (eu sei que disse que prefiro ales, mas a R$ 1,99 meu amigo…) a temperatura ficou bem baixa, cerca de 4°C.

Sei que pode parecer frescura, mas essas coisas realmente influenciam no sabor. Assim como cada cerveja tem seu copo específico, essa breja deve ser servida em um copo como o de conhaque, mas como não tenho esse copo usei o de sempre: um copo da Hoegaarden de boca bem larga.

O problema de servir essa Oatmeal Stout em um copo desses é que o creme se desfaz muito mais rápido. Entre servir e tirar a foto o colarinho sumiu, mas era de se esperar de uma breja desse tipo sem o auxílio do nitrogênio (quem já tomou uma Guinness sabe que a carbonatação é baixa). A cerveja é bem opaca e cremosa ao servir, acho que isso se deve aos 25% de aveia presente na cerveja (tambem explica o álcool).

O aroma desta cerveja é como o esperado, principalmente pelos ingredientes: café (e muito), malte torrado, um adocicado tipo caramelo, lúpulo (olha o centennial aparecendo), não senti tanto o álcool, vamos ver no paladar.

Essa stout é bem encorpada, mas como dizem que o café da manhã é a refeição mais importante do dia. Mas praticamente jantei essa cerveja :P. Mesmo assim, para entrar no clima acompanhei a degustação com algumas torradas e ficou bem legal. O sabor de café é o carro chefe no paladar, mesmo o amargor esperado do lúpulo cascade se misturou com o do café.

Conforme a temperatura da cerveja foi subindo sabores foram aparecendo (mas nenhum sumiu). Demorei cerca de uma hora para tomar esse quase pint e meio e posso dizer que sabores de chocolate, nozes, defumado, malte torrado e claro café me deixaram com vontade de ter a experiência de tomar essa breja pela manhã.

Mal posso esperar pela minha quota de aniversário. 🙂

Publicado por Fio Cavallari

Analista de segurança, pesquisador de malwares, guitarrista ruim e imitador do Silvio Santos.

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5 comentários

  1. Missão dada é missão cumprida!!! é isso aí.

    Complementando o seu review… Mikkeller (ou Mulleke como diria o @nbrito) é uma cerveja que me chamou a atenção nos últimos tempos, exatamente pelo que você falou, é Dinamarquesa, mas é feita em vários lugares da Europa, usando o tempo ocioso de outras micro-cervejarias. (coisa também muito comum no mundo dos vinhos, principalmente em Napa, California).

    Realmente é uma cerveja que surpreendeu pela “falta” de álcool, em relação ao número de ingredientes. Ou seja, mais uma daquelas que foi batizada corretamente.
    Tão corretamente que, certamente, deve cair MUITO bem com um sanduíche de ovo com bacon e gorgonzola ou com pizza fria.

    Sem dúvida alguma, ela me lembra (mais com muito mais complexidade) a Redhook http://www.redhook.com double-black stout que nem sei se ainda é feita (pelo site deles, não mais).

    1. Curti o modelo das garrafas da Red Hook, bem diferentes.
      E essa harmonização, hein? Pena que não tem uma Mikkeller no mercado da esquina, senão dava um jeito de testar.

      E tenho que dizer pro @nbrito que essa breja de mullekke não tem nada. 🙂

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